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Sexo e Relacionamento
20 de Dezembro de 2016 ás 09:39h
Os medos do homem: desemprego, tamanho do pênis, ficar sozinho e traição

“Não é o tipo de coisa que eles falam socialmente, entre os amigos, mas na conversa surge”, diz Marisa de Abreu, psicóloga clínica, sobre um dos medos dos homens que costuma atender: o de ter muitas mulheres e não conseguir um relacionamento sério com nenhuma.


Aos ouvidos de muitos caras, este medo pode parecer uma piada e ir de encontro à imagem daquele “macho alfa” rodeado de mulheres, mas Marisa afirma que embora eles dificilmente admitam isso em uma mesa de bar, ele existe. “É o medo de ter muitas garotas e não se apaixonar por nenhuma, ou seja, de que a quantidade não ofereça uma pessoa com quem ele possa manter um relacionamento de qualidade.” No fundo, soa mais como o medo de ficar só.


E quando se trata de ficar sozinho, a situação pode ser extremamente grave, segundo o psicólogo Antonio Carlos Alves de Araújo, com 25 anos de experiência. “As relações estão cada vez mais efêmeras, não aliviam a angústia. A rede social é um passatempo, não vai eliminar o efeito da solidão porque não tem base consistente, não é um amigo com história. Você vai eliminar o medo quando tem uma história”, afirma.


Em seu consultório, Araújo revela que boa parte de seus pacientes é do sexo masculino, opinião compartilhada por outros dois especialistas, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro, mas no caso de Marisa, isso não ocorre. “Não, a maioria aqui é de mulheres. A proporção já foi bem maior há uns 15 anos, mas elas são maioria. Às vezes tem aquela coisa machista de homem que é homem resolve seus problemas sozinhos.”


“Antigamente não tinha tanto homem. Hoje em dia tem bastante, eu diria que é de igual para igual, e tem crescido o número de adolescentes, entre 18 e 25 anos”, revela Amaury Mendes, professor e médico do ambulatório de sexologia da UFRJ. Ailton Amélio da Silva, psicólogo e professor da USP, acredita que eles tendem a procurar por profissionais do mesmo gênero porque se sentem mais à vontade: “Sendo outro homem, eles imaginam que serão compreendidos, melhor acolhidos”.


Marisa pode ter menos pacientes do sexo masculino que Antonio, Ailton e Amaury, mas ao serem questionados sobre quais são os maiores medos que eles observam nos homens, os quatro traçam panoramas parecidos – curiosamente, nem sempre eles envolvem doença ou morte – que se complementam quando colocados lado a lado. Veja quais são abaixo:


Nu com a mão no bolso


“O homem é ligado à identidade profissional dele. Na nossa cultura a identidade masculina é muito definida pelo sucesso, e o grande medo deles é o fracasso na área profissional. A autoestima vai para o brejo. Se a pessoa perde o emprego e fica muito tempo sem, já começa a se deteriorar”, avalia Ailton. “O maior medo não é nem doença e morte, é a pobreza, perder o emprego, ficar em dívida, não pagar. É importante entender que as pessoas adquiriram um padrão de vida que, comparado ao século passado, não se imaginava. Isso traz um medo da perda”, completa Antonio.


Solidão


Autor de estudos sobre a solidão, Antonio Carlos diz que um dos grandes temores do homem – e possivelmente das pessoas em geral – é ficar sozinho. “As pessoas já não querem casar tanto, não querem união estável. O pessoal quer ficar, e, ao mesmo tempo, tem medo da solidão que bate. O maior índice de suicídios acontece entre sexta e domingo, os dias em que há uma pressão social para que você esteja com alguém. É um levantamento do Estado que apenas profissionais têm acesso.”


Timides e não poder falar “não”


Para Marisa, a timidez costuma ser um dos obstáculos para o homem na hora de tomar a iniciativa em uma conversa com uma mulher. “Pega o homem para burro, principalmente entre os mais jovens. A sociedade cobra aquele que não toma iniciativa, que é menos proativo”, diz Ailton.
No entanto, quando elas tomam a iniciativa, outro medo pode aparecer, de acordo com o professor da USP, o de não poder “não”. “Existe um mito de que o homem tem que estar sempre pronto, não pode falhar, tem que corresponder as expectativas sociais. Ele se cobra, sente que não está funcionando, que não é tão macho. Não pode.”


“Para alguns homens pode ser extremamente incômodo porque eles acham que não podem recusar. O homem generaliza, acha que mulher é mulher e acabou. Acha que não pode recusar, que ela chegou, cantou, tem que comer. Mexe muito com a questão da masculinidade, ele pensa que se recusar vão achar que ele é gay”, analisa Amaury. No cenário levantado pelo especialista, eles se sentem desconfortáveis ao serem abordados por elas, e vale aqui uma reflexão que nada tem a ver com os medos masculinos e foi levantada recentemente pelo site Olga e a campanha “Chega de Fiu Fiu”: quantas mulheres não se sentiram incomodadas com a cantada que pode ter sido, na verdade, um assédio da nossa parte? Pense um pouco nisso antes de seguir a leitura.

 

Sair com várias após o término da relação é sinal de fraqueza, não de força, afirma especialista

Sair com várias após o término da relação é sinal de fraqueza, não de força,

afirma especialista (Foto: Thinkstock/Getty Images)

FIM DA RELAÇÃO


“O homem é mais dependente do relacionamento que as mulheres. Nessa linha quem mais me liga aos finais de semana é o homem, não as mulheres”, conta Ailton, que diz manter um celular ligado o tempo todo caso os pacientes, quase sempre do sexo masculino, se encontrem em situações de emergência. “Quem mais faz uso são eles, ao contrário daquela imagem de durão. Com o terapeuta eles sofrem.” O psicólogo afirma ainda que começa a sair com várias mulheres após o fim de um relacionamento não é a solução: “Não é sinal de força, é de fraqueza. Ele não suporta o vazio, essa porção de encontros não preenche o vazio. Em 87% dos casos, segundo o IBGE, o homem também perde a guarda dos filhos”.


E a traição 


“Com a independência feminina o medo de ser traído também surge forte, pois antigamente a sociedade repressora garantia a fidelidade da mulher”, analisa Marisa. Além da “traição convencional”, Araújo ressalta que agora há também a pulada de cerca no campo virtual.


“Cerca de 90% dos casos de terapia de casal aqui são de infidelidade, e nem precisa ser no plano real. O cara às vezes nunca transou com outra mulher, mas trocou e-mails maliciosos. É um fenômeno moderno, de três anos para cá. O homem tem esse medo, esse pânico porque é muito fácil hoje em dia. O engraçado é que eles reclamam desses aplicativos, como Facebook e Tinder, mas não saem deles”, diz Araújo. “Eu ria no começo. O pessoal fazia terapia por causa de um e-mail. É para tanto? Quem está regulando a vida social das pessoas é o Facebook.”


Medo da crítica


Na análise de Antonio Carlos, as pessoas – ele não faz distinção de gêneros aqui – têm muito medo de não serem aceitas no mundo corporativo ou social, trocam de carro – no caso dos homens – a cada dois anos para agradar, e em alguns casos chegam a ter um complexo de inferioridade. “Pessoas que podem ser ricas, têm automóveis importados e não se julgam merecedores. Elas se sentem culpadas por ter uma boa casa, apartamento, veículo, e passam esse sentimento para quem está em volta, têm medo da crítica”, explica.


O psicólogo cita um exemplo do meio artístico para exemplificar sua fala. “Pega a Karen Carpenter (cantora dos anos 60 e 70). Eles eram certinhos, o Nixon os convidou para tocar na Casa Branca, era um grande sucesso. Um dia disseram que ela estava meio gorda, ela entrou em uma anorexia nervosa, morrendo em 1983. Opinião alheia tem um peso muito importante na autoestima. Aquela eugenia de [Adolf] Hitler está aí. Quem não consegue corresponder a um certo padrão dança. Pode ser famoso, rica, não tem aparato de autoestima. Medo é questão do inconsciente, não vem de fatores externos. Tem que trabalhar seu lado psicológico.”

 

Médico afirma que maioria dos homens fica pensando se seu pênis não poderia ser maior

Médico afirma que maioria dos homens fica pensando se seu pênis não poderia

ser maior (Foto: Thinkstock/Getty Images)

 

“Isso nunca aconteceu antes”


Segundo Amaury Mendes, não importa a idade, o medo de falhar na hora H aflige todos os homens, com uma tendência maior entre os jovens. “A gente tem visto uma geração de meninos criados muito dentro de casa, com essa coisa do vídeo (pornografia), a masturbação sendo uma prática constante. É masturbar e gozar. Com isso os meninos acham que é sexo rápido ali, na festa, no carro, em pé, rapidinho. Isso está fazendo com que muitos tenham ejaculação precoce e disfunção erétil.”


“Quando a mulher era submissa, duas gerações atrás, ela nem ousava dizer para o homem que queria sexo oral ou anal. Hoje grande parte dos homens têm medo quando ela diz isso, quando pede uma posição nova, eles pensam que ela já fez isso, que ela está querendo que ele mostre o quanto ele é potente”, completa o especialista.


Tamanho é documento... para eles


“O tamanho do pênis está sempre presente. Está vinculado a ter uma maior ou menor masculinidade”, diz Mendes. Segundo o ginecologista, “o grande valor do homem é o documento”, a ponto de muitos darem nomes para os seus. “O Chico Buarque comenta no filme ‘Vinicius’ que um pouco antes da morte do Vinicius, o próprio Vinicius diz que se pudesse voltar da morte, voltaria exatamente igual, mas com o pênis um pouco maior.

 

Essa sensação [de achar que o pênis não é grande o suficiente] de certa forma estimula uma inadequação no momento do sexo. O homem fica pensando no pênis dele e que a companheira também está pensando nisso.”


Deles / iG 


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