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Vítimas de agressões, taxistas evitam comunidades na Grande JP

Publicado em 13/02/2018

Reprodução

Um taxista foi agredido e esfaqueado no mês de janeiro durante uma corrida entre as cidades de Bayeux e Cabedelo, que ficam localizadas na Grande João Pessoa. A situação, que teve destaque na mídia local, é só um demonstrativo da insegurança vivida pelos profissionais na Paraíba.

Com medo da violência, taxistas da capital têm evitado comunidades, pelo alto índice de violência nesses locais. Comunidade Boa Esperança, Cidade Verde, Muçumagro, Timbó, Alto do Matheus são algumas áreas onde eles esquivam, sempre que possível. Apesar disso, os bairros nobres de João Pessoa não saem ilesos e profissionais também são atacados em lugares como Manaíra.

De acordo com o presidente do Sindicato dos Taxistas, Adauto Braz, só no primeiro mês do ano já aconteceram mais de dez ataques contra os motoristas. Entre as ações criminosas estão assaltos, furtos de carros e até agressão física.

“A situação está péssima”, desabafa Adauto. De acordo com o líder, sem uma segurança efetiva, a forma de evitar que seja alvo de uma tentativa de assalto, de um sequestro ou até de homicídio, é usar o ‘desconfiômetro’: capacidade de prever e desconfiar antecipadamente de alguém ou de alguma situação.

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Mas nem essa técnica é infalível atualmente. “Hoje está até difícil, porque muitos ladrões usam gravatas, a gente não tem como saber; tem casais com crianças de colo realizando assalto. Acabamos arriscando”, explica.

Como consequência, muitos motoristas deixam de ganhar dinheiro por medo. “A noite hoje está desassistida porque o pessoal não tem confiança para trabalhar”, conta. A alternativa encontrada é, durante a noite, fazer apenas roteiros com pessoas já conhecida ou cadastradas em um aplicativo usado por eles, o 83 Táxi.

O caso do taxista Argermiro Gomes

No mês de janeiro o taxista de 65 anos Argemiro Gomes foi destaque na imprensa de João Pessoa. Enquanto trabalhava, ele foi assaltado e agredido por um casal.

Na rua de sua casa, Argemiro foi abordado por uma moça que alegava querer que ele a levasse até um local. Seria mais uma viagem comum naquele dia. “Ela pediu para que eu esperasse, pois iria chamar o marido”, conta o taxista.

Até chegar ao destino, nada fugiu do roteiro. De acordo com o idoso, a mulher e o esposo seguiram conversando; o casal contava sobre a aquisição de uma casa. Mas ao se deparar em uma rua sem saída, Argemiro foi surpreendido.

“Quando cheguei em uma rua sem saída e quis voltar, o rapaz disse: ‘Miserável, me dê o dinheiro”, relata. O taxista conta que quando percebeu, sua roupa já estava ensopada de sangue.

Nesse momento, Argemiro deixou o carro e saiu correndo, mas foi perseguido pelo suspeito. Enquanto era agredido do lado de fora do carro, a mulher vasculhava o interior do veículo. “Não se preocupe, que o pouco que eu tenho lhe dou”, disse a vítima durante o ataque.

A agressão seguiu até que uma moradora da rua, dentro de casa percebeu do que se tratava e acionou a Polícia. Quando a dupla viu que a mulher estava com um celular na mão, fugiu. “Se não fosse ela, ele teriam me matado”, conta Argemiro.

Ao todo, eles levaram um celular e R$ 20. O maior prejuízo foi a saúde do idoso. Além das facadas, o idoso se machucou ao ser jogado no chão e agredido pelo rapaz. “Eu não agüento trabalhar com meu braço direito, porque ficou dolorido e perdeu a força. Também não agüento mexer o esquedo”, explica.

O taxista ainda vai fazer fisioterapia para recuperar totalmente o movimento dos braços.  Apesar disso, o retorno à atividade ainda está sendo analisado. “Eu posso até voltar, mas se voltar vou apenas fazer viagens para conhecidos, levar pessoas idosas até hospitais, bancos, coisas desse tipo”, revela.

Segundo Argemiro, ainda é necessário cerca de dois meses para a recuperação física. Porém, o tempo previsto não leva em conta a dor emocional. “Estou com um trauma tão grande que nem tão cedo volto a trabalhar”, admite.

Da dupla criminosa, apenas a mulher foi localizada e presa pela Polícia Militar.

Caroline Queiroz – MaisPB