Direito e justiça
Ivan Burity tem prisão mantida e vai para presídio em Mangabeira

Publicado em 10/10/2019 10:01

Reprodução

O ex-secretário executivo de Turismo da Paraíba, Ivan Burity de Almeida, preso preventivamente no início da manhã na Operação Calvário, vai continuar preso após audiência de custódia realizada na tarde desta quarta-feira (9). Com a decisão, Ivan segue para a Penitenciária de Segurança Média Juiz Hitler Cantalice, no bairro de Mangabeira, em João Pessoa, assim como o diretor do Hospital Geral de Mamanguape, Eduardo Simões Coutinho.

Apenas familiares de 1º e 2º grau e advogados estão autorizados a visitar os presos. Mais cedo, antes da audiência, Ivan Burity pediu demissão do cargo em carta enviada ao governador João Azevêdo (PSB).

O Governo da Paraíba emitiu nota no começo da tarde desta quarta-feira (9) para dizer que determinou a intervenção nos hospitais Metropolitano de Santa Rita e Regional de Mamanguape.

O Estado decidiu também pelo afastamento imediato de todas as pessoas responsáveis pela administração da Organização Social citada nesta nova etapa da Operação Calvário.

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O Instituto de Psicologia Clínica, Educacional e Profissional (IPCEP), informou que só se manifestará após acesso ao processo. O IPCEP era responsável pelo Hospital Regional de Mamanguape.

O caso

A quinta fase da operação expande o âmbito de atuação da organização criminosa e apura o envolvimento de editoras de livros e do secretário da Educação e da Ciência e Tecnologia da Paraíba, Aléssio Trindade. Ele foi um dos alvos dos 11 mandados de busca e apreensão cumpridos na Paraíba.

Além de Burity, foram presos o diretor do Hospital Geral de Mamanguape-PB, Eduardo Simões Coutinho, e Jardel Aderico da Silva, ex-secretário da Promoção da Paz no estado de Alagoas. Burity foi levado para a Central de Polícia do Geisel, em João Pessoa.

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) não divulgou detalhes de como funcionava o esquema e adiantou apenas que ele não se restinge só à saúde pública, que foi o que deu início à Operação Calvário em dezembro do ano passado. “Não haverá coletiva desta fase da operação. A investigação continua”, disse o MPPB.

Alvos

No Rio de Janeiro, são cumpridos quatro mandados de busca e apreensão; em São Paulo, três; no Paraná, cinco; e um em Alagoas. Para este último estado, houve ainda o mandado de prisão contra o ex-secretário da Promoção da Paz.

Veja abaixo a lista de alvos divulgada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado do Ministério Público da Paraíba (Gaeco) do Ministério Público da Paraíba (MPPB). Não foram divulgados detalhes da participação de cada uma delas no esquema investigado.

  1. Aléssio Trindade de Barros – secretário da Educação e da Ciência e Tecnologia da Paraíba;
  2. Ivan Burity de Almeida – secretário executivo de Turismo da Paraíba;
  3. Eduardo Simões Coutinho – diretor do Hospital Geral de Mamanguape;
  4. Jardel da Silva Aderico – ex-secretário da Promoção da Paz de Alagoas;
  5. José Arthur Viana Teixeira;
  6. Márcio Nogueira Vignoli;
  7. Hilário Ananias Queiroz Nogueira;
  8. Vladimir dos Santos Neiva;
  9. Antônio Carlos de Souza Rangel;
  10. Henaldo Vieira da Silva;
  11. Giovana Araújo Vieira;
  12. Mário Sérgio Santa Fé da Cruz;
  13. José Aledson de Moura
  14. Pousada Potiguara/Camaratuba LTDA – propriedade do investigado Ivan Burity de Almeida;
  15. Conesul Comercial e Tecnologia Educacional EIRELI – propriedade do investigado Márcio Nogueira Vignoli
  16. Editora Grafset LTDA – propriedade do investigado Vladimir dos Santos Neiva;
  17. J.R. Araújo Desenvolvimento Humano EIRELI/Editora Inteligência Relacional (com endereços em Ribeirão Preto/SP e Maceió/AL) – propriedade do investigado Jardel da Silva Aderico;
  18. Instituto de Psicologia Clínica Educacional e Profissional (IPCEP) – entidade filantrópica que gerencia ações e serviços do Hospital Geral de Mamanguape;
  19. Brink Mobil Equipamentos Educacionais LTDA (com endereços em Colombo/PR, Curitiba/PR, Campina Grande do Sul/PR e São Paulo/SP).

Operação Calvário

A Operação Calvário foi iniciada em dezembro de 2018 e expôs um esquema responsável pelo desvio de mais de R$ 1 bilhão da Saúde. Conforme o Gaeco/MPPB, as fraudes envolviam agentes públicos e Organizações Sociais (OS) que gerenciavam hospitais.