Direito e justiça
Gaeco apreende computadores e documentos na Câmara de Santa Rita

Publicado em 07/11/2019 21:32

Reprodução

Investigadores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público da Paraíba (MPPB) recolheram computadores e documentos da Câmara Municipal de Santa Rita, nesta quinta-feira (7), em continuidade a operação ‘Natal Luz’, que investiga 11 vereadores e o contador da Câmara Municipal da cidade por desvio de dinheiro público para benefício próprio.

Os envolvidos, presos na madrugada de terça-feira (5), são suspeitos de terem forjado um congresso na cidade de Gramado, no Rio Grande do Sul, e aproveitado a viagem para curtir a estadia com familiares.

Conforme apuração da repórter Sandra Macêdo, da 98FM, os computadores foram apreendidos e vão ser periciados. A suspeita é de que eles possam conter provas dos crimes que teriam sido praticados pelos vereadores e o contador.

Nessa quarta-feira (6), os suspeitos passaram por audiência de custódia no Fórum Criminal Juiz João Navarro Filho, em Santa Rita. Somadas, as audiências tiveram mais de sete horas de duração.

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À 1h da madrugada dessa quinta-feira (7), a juíza Maria dos Remédios Pordeus Pedrosa decidiu pela liberação dos 12 custodiados.

Prejuízo de R$ 1,5 milhão

De acordo com o delgado Allan Murilo Terruel, a estimativa é que o prejuízo causado aos cofres públicos seria em torno de R$ 1,5 milhão, e, só nesse último passeio, os gastos foram de R$ 71 mil.

O delegado informou ainda que a Polícia Civil de Sergipe, em Aracaju, ouviu na tarde desta quarta-feira (6) o depoimento dos proprietários do Icap, responsável pela realização dos eventos. Além disso, ele recebeu uma ocorrência do advogado João Alves, que estaria sendo ameaçado por pessoas ligadas aos presos.

Procurado pela reportagem, o advogado confirmou a denúncia e se disse temeroso por sua vida. “Estou sendo ameaçado pelo fato de ter formalizado uma denúncia junto ao TCE sobre essa ‘farra das diárias’ na Câmara. Essa minha denúncia nem saiu do lugar e essa operação não tem nada a ver com ela. Agora estou sendo ameaçado, inclusive, com telefonemas para pessoas que trabalham comigo, pedindo para que elas se afastem porque minha morte já estaria encomendada”, denunciou o advogado.

Os presos pelo Gaeco

São alvos da operação: Anésio Alves de Miranda Filho (presidente da Câmara); os vereadores Brunno Inocêncio da Nóbrega Silva, Carlos Antônio da Silva (conhecido como Galego do Boa Vista), Francisco de Medeiros Silva (conhecido como Cícero Medeiros), Diocélio Ribeiro de Sousa, Francisco Morais de Queiroga, João Evangelista da Silva, Ivonete Virgínio de Barros, Marcos Farias de França, Sérgio Roberto do Nascimento, Roseli Diniz da Silva, a Rosa do Vaqueiro; e o contador da Câmara, Fábio Cosme.

Fatos denunciados

A operação Natal Luz teve como base denúncias anônimas e notícias divulgadas nas redes sociais. Os vereadores presos, em flagrante, são suspeitos do crime de peculato, que é o desvio de dinheiro público para benefício próprio, pois teriam forjado um congresso na cidade de Gramado (RS), que a polícia diz não ter se realizado, e que eles teriam ido a passeio com familiares.v