Direito e justiça
‘Leto comandava organização criminosa’, afirma presidente da Câmara de Cabedelo

Publicado em 02/07/2019 09:43

Reprodução

Na manhã desta segunda-feira (1º), o juiz Henrique Jorge Jácome de Figueiredo, da 1ª Vara da Comarca de Cabedelo, deu continuidade a audiência de instrução e julgamento do processo principal que envolve nove réus da ‘Operação Xeque-Mate’. A sessão está acontecendo no Fórum da Unidade Judiciária. Na oportunidade, serão ouvidos cinco colaboradores – réus de outros processos da mesma operação – e os denunciados nesta ação penal. O primeiro colaborador a depor foi o ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal, Lucas Santino da Silva, que revelou em detalhes o esquema criminoso e afirmou que o ex-prefeito da cidade, Leto Viana, comandava a organização criminosa.

A audiência teve início na quinta-feira (27) e foi interrompida, depois da oitiva de cinco testemunhas do Ministério Público e 13 testemunhas da defesa. As demais testemunhas foram dispensadas, tanto pela acusação, quanto pela defesa. “Hoje, vamos ouvir, em um primeiro momento, os réus colaboradores. Na sequência, em sendo possível, pelo adiantado da hora e pelas circunstâncias que possam surgir, vamos colher os interrogatórios dos réus”, adiantou o juiz Henrique Jácome. Conforme o magistrado, mais cinco denúncias oferecidas pelo Ministério Público sobre a ‘Operação Xeque-Mate, já foram recebidas pela Justiça.

Lucas Santino da Silva, ao ser indagado pelos representantes do Ministério Público se ele fazia parte de uma organização criminosa, respondeu categoricamente que sim. “O ex-prefeito liderava essa quadrilha. Ele fazia um levantamento de quem poderia vencer como vereador e investia na campanha dessas pessoas, mas exigia a assinatura de uma carta denúncia, Assim, em caso de vitória, Leto Viana tinha o poder de barganha na Câmara dos Vereadores e na Prefeitura Municipal”, revelou Lucas Santino. Ele disse, ainda, que o investimento em algumas campanhas para vereador de Cabedelo ultrapassava a um milhão de reais.

Ainda serão ouvidos na condição de colaboradores José Ediglei Ramalho, Rosildo Pereira de Araújo Júnior, Olívio Oliveira dos Santos e Gleuryston Vasconcelos Bezerra Filho. 

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Dos nove réus da audiência desta segunda-feira, respondem ao processo em liberdade os denunciados Marcos Antônio Silva dos Santos, Leila Maria Viana do Amaral, Jaqueline Monteiro Franca (ex-presidente da Câmara dos Vereadores e esposa de Wellington Viana), Adeildo Bezerra Duarte Figueiredo da Silva. Já os réus Wellington Viana França (Leto Viana, ex-prefeito de Cabedelo), Antônio Bezerra do Vale Filho, Lúcio José do Nascimento Araújo e Tércio de Figueiredo Dornelas Filho estão presos.

Denúncia – Os acusados, segundo as denúncias, integravam uma organização criminosa no Município de Cabedelo que teria sido responsável por vários episódios criminosos, dentre eles a compra e venda do mandato do ex-prefeito José Maria de Lucena Filho (Luceninha) e a sua consequente renúncia ao cargo; irregularidades na Prefeitura e na Câmara de Vereadores, com contratação de servidores fantasmas; e esquema de recebimento de dinheiro desviado do salário dos servidores municipais.

Constam ainda nas acusações outras irregularidades, como o financiamento de campanha de vereadores; atos de corrupção envolvendo a avaliação, doação e permuta de terrenos pertencentes ao erário municipal, que beneficiava diversas empresas, bem como ações ilícitas para impedir a construção do Shopping Pátio Intermares, com a distribuição de valores ilícitos para vereadores, com atuação pessoal de Leto Viana.

Por Fernando Patriota