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Por que “Bacurau” é o filme mais badalado do cinema brasileiro? Confira motivos

Publicado em 29/08/2019 13:48

Reprodução

Embora tenha sido superado por A Vida Invisível como indicado para ser o representante do Brasil na categoria de Melhor Filme Internacional do Oscar de 2020, Bacurau é o lançamento brasileiro mais efervescente deste ano. Dirigido por Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles, o longa entra em cartaz nesta quinta-feira (29) nos cinemas do país. 

Bacurau se passa em um futuro próximo e gira em torno de um povoado que se vê assombrado por estranhos fenômenos. Literalmente apagada do mapa, a comunidade isolada, que vive utópica convivência entre as diferenças, se vê ameaçada por violentos invasores estrangeiros.

A seguir, confira os motivos que levam Bacurau a ser o filme brasileiro mais aclamado e badalado deste ano. 

1- PREMIADO

Exibido no Festival de Cannes, em maio, Bacurau conquistou o Prêmio do Júri. O troféu é considerado o terceiro mais importante do evento. Bacurau dividiu a premiação com o filme francês Les Misérables, de Ladj Ly. Foi a primeira vez que uma produção brasileira venceu na categoria.

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Neste mês, Bacurau ganhou dois prêmios no 23º Festival de Cinema de Lima: melhor filme e melhor direção

2- SONIA BRAGA

A renomada atriz foi a protagonista de Aquarius (2016), longa dirigido por Kleber e que conta com a direção de arte de Juliano Dornelles. Se no filme anterior da dupla ela era uma heroína, a protagonista que carregava a trama, agora Sonia interpreta a imponente Domingas, uma respeitada médica do povoado. Como Bacurau não tem um personagem principal, desta vez ela interpreta um papel de composição da história.  

Mesmo dividindo o protagonismo, Sonia volta a entregar outra grande atuação de sua carreira sob o comando de Kleber e Juliano. Domingas é um personagem dominante em cena – muito por sua representação de uma mulher nordestina que põe ordem na casa. Uma personagem tão forte quanto Clara, de Aquarius

Cinemascópio / Divulgação
Sonia Braga em “Bacurau”Cinemascópio / Divulgação

3 – UDO KIER

Bacurau conta com um núcleo de atores estrangeiros que interpretam mercenários cuja finalidade é acabar com o povoado. Entre esses gringos está o lendário alemão Udo Kier, conhecido por suas participações em filmes de gênero – especialmente como vilão. Em seu currículo com mais de 250 trabalhos no cinema estão produções como Carne para Frakenstein(1973), Sangue para Drácula (1974), Blade, o Caçador de Vampiros (1998) a Melancolia (2011). 

Vitrine Filmes / Divulgação
Udo Kier vive Michael em “Bacurau”Vitrine Filmes / Divulgação

Em Bacurau, Udo vive Michael, o impiedoso e manipulador líder  do grupo de mercenários. Presença poderosa em cena, o encontro do alemão com Sonia em uma cena entrega um dos melhores momentos do filme. 

4 – PERSONAGENS INSTIGANTES

Só há personagens interessantes habitando Bacurau: o terno e sábio professor Plínio (Wilson Rabelo); o pistoleiro arrependido Pacote (Thomás Aquino); o guerrilheiro fashion Lunga (Silvero Pereira); a equilibrada Teresa (Barbara Colen); o seboso prefeito picareta Tony Jr (Thardelly Lima); e, entre outros, o misterioso e excêntrico Damiano (Carlos Francisco) – com, talvez, a cena mais surpreendente do filme.

Vale ressaltar que esse personagens entregam diálogos e frases divertidíssimos que, certamente, entrarão para o cânone do cinema brasileiro.

5 – MISTURA DE GÊNEROS

Utilizando muitas alegorias para refletir sobre ciclos que se repetem na história do Brasil e no mundo, Bacurau é uma combinação sanguinolenta de gêneros: horror com elementos gore (que não soa como violência), faroeste (um western nordestino?), ação e fantasia. Transitando por diferentes formatos com fluidez, o filme é uma obra singular no cinema brasileiro.

6 – BRASIL EM BACURAU

Segundo Kleber Mendonça Filho, o Brasil foi o grande inspirador de Bacurau. Ele e Juliano escreveram o roteiro do filme ao mesmo tempo que acompanhavam todos os acontecimentos do país. Há um tom político às vezes sútil, carregado na simbologia do longa, mas também mais explícito – afinal, os inimigos do povoado são invasores estrangeiros, espelhando a história brasileira, que cultuam às armas. Um espécie de revanche contra o colonizador. Aqui, a palavra resistência torna-se chave – como se fosse um recado da dupla de diretores e roteiristas.

De certa maneira, o povoado de Bacurau também é um utopia de Kleber e Juliano: pessoas de diferentes raças e gêneros convivem com naturalidade, a cultura e a educação são valorizadas e o museu local é sempre lembrado com muita importância pelos moradores.

7 – CAPRICHO

Em Bacurau, os diretores esbanjam técnica em cada cena, trabalhando com inspirações do cinema americano dos anos 1970, mas aplicando essas referências com uma visão menos convencional do Nordeste. Todo o colorido do povoado somado à caracterização naturalista dos personagens cria uma estética bela e particular. A trilha sonora (Geraldo Vandré e Gal Costa), além do desenho de som (é um filme para se assistir em volume alto, pois, prepara-se, há sustos para se tomar), é outra cereja desse bolo nordestino.