Paraíba
Diferença do valor da CNH entre JP e interior é de até R$ 755

Publicado em 04/07/2019 09:20

Reprodução

O valor para se tornar habilitado nas categorias A (moto) e B (carro) varia até R$ 805 entre 13 autoescolas do estado, custando entre R$ 1.650 e R$ 2.455. O levantamento para emissão de Carteira Nacional de Habilitação (CNH) foi feito pelo Portal Correio nas cidades de João Pessoa, Campina Grande, Guarabira, Solânea, Monteiro, Patos, Sousa e Cajazeiras e motivado por comentários de leitores que reclamaram dos valores cobrados nos estabelecimentos. Em comparação entre a Capital e o interior do estado, a variação é de até R$ 755.

Na matéria citada acima, os leitores afirmaram que eles chegam a pagar até R$ 3 mil por todo o procedimento de expedição do documento, diferente do que foi dito pelo presidente do Sindicato das Autoescolas da Paraíba e diretor da Federação Nacional das Autoescolas, Claudionor Fernandes, que o preço da CNH categoria B sem simulador (com aulas custando entre R$ 350 e R$ 400) seria R$ 1,2 mil.

No levantamento do Portal Correio, as autoescolas foram questionadas sobre os valores para habilitação nas categorias A, B e AB e também sobre se nos valores cobrados pela CNH já constavam taxas do Departamento Estadual de Trânsito da Paraíba (Detran-PB), simulador e telemetria.

O valor mais em conta foi encontrado na Autoescola Frei Damião, em Guarabira, onde todo o procedimento custa R$ 1.650, já incluso simulador, taxas e telemetria.

- CONTINUE DEPOIS DA PUBLICIDADE -

Já o maior preço cobrado foi na Autoescola Barroso, em Cajazeiras, onde o cliente paga R$ 250 da telemetria; R$ 380 do simulador; R$ 425 de taxa do Detran-PB; e até R$ 1,4 mil da autoescola, dependendo se será à vista ou parcelado.

Em João Pessoa, o valor da CNH AB (simulador incluso) mais em conta foi de R$ 1,7 mil. O mais caro foi de R$ 2,1 mil. Em Campina Grande, o valor mais baixo foi de R$ 2.332 e o mais caro R$ 2.410.

Em Guarabira, o mais barato ficou em R$ 1.650 e o mais caro em R$ 2.150, mesmo valor encontrado na autoescola pesquisada em Solânea.

Em Monteiro, a autoescola pesquisada vende o procedimento completo por R$ 2,1 mil. Em Patos, o valor mais barato foi de R$ 1.750 e o mais caro R$ 1.890.

Em Sousa, o procedimento da CNH na autoescola pesquisada foi encontrado por R$ 2.160. Já em Cajazeiras, o valor achado foi de R$ 2.455.

O que diz o Sindicato

Ao Portal Correio, Claudionor Fernandes afirmou que o preço varia entre as autoescolas pelo fato de os empresários não tabelarem os preços, o que é bom para o consumidor. Porém, ele argumentou que as autoescolas que comercializam o serviço abaixo do preço de custo (R$ 500 e R$ 600 em taxas do Detran-PB e impostos, fora combustível, manutenção de veículos e salários de funcionários) estão “fazendo alguma coisa de errado”.

Além disso, Claudionor contou que os preços cobrados pelas autoescolas estão defasados desde 2012 e que, caso os valores tivessem sido reajustados, atualmente o valor pela CNH AB estaria na casa dos R$ 2.450.

“O pessoal só se preocupa com o preço, mas é preciso ver a questão do ensino. Muitas vezes as autoescolas não se preocupam com isso e o aluno sai de lá com uma formação prejudicada, o que é um risco para ele e para as outras pessoas. Quem estiver cobrando abaixo do valor de custo está fazendo alguma coisa errada. Não reajustamos esses valores desde 2012, mas o gasto com combustível, energia, taxas do Detran, impostos e salário dos funcionários aumentou muito nesse tempo. Na ponta do lápis, a hora-aula não sai por R$ 15. Os empresários de bem, que fazem tudo certo e pensam na qualidade do ensino, estão trabalhando no vermelho há muito tempo”, afirmou Claudionor.

Procon-PB disse que vai fiscalizar

A superintendente do Procon-PB, Késsia Cavalcanti, disse ao Portal Corrrio que o órgão deverá promover uma nova pesquisa sobre os valores cobrados pela CNH em todo o estado.

Além disso, ela falou que caso o governo retire a obrigatoriedade do simulador e as autoescolas não baixem o valor cobrado pelo serviço, o Sindicato das Autoescolas precisará justificar a não redução dos preços.

“O sindicato tem que justificar a retirada do serviço e o motivo para não baixar os valores. Estaremos atentos a isso. Com relação à discrepância dos valores entre a Capital e o interior, é preciso ver quais são os custos de cada empresa e como é feita a composição de preços para que o consumidor possa escolher em qual empresa comprará o produto”, explicou Késsia.