Paraíba
Risco de incêndio ameaça patrimônio cultural do Brasil em CG
Feira Central de Campina Grande tem problemas na estrutura, comércio 'inflamável' e ligações elétricas irregulares; constatações são da Defesa Civil

Publicado em 09/01/2019 10:38

Reprodução

A Feira Central de Campina Grande apresenta risco de incêndio e pânico. É o que relata o técnico da Defesa Civil do município paraibano, Jonatas Costa. Conforme ele, a área tem problema nas instalações, é grande e quanto maior o tamanho, mais se correm riscos. A Defesa Civil informou ainda que já são realizadas ações para a diminuição desses perigos no local. A feira é patrimônio cultural do Brasil desde junho de 2018.

Segundo o técnico, entre as preocupações da área estão as edificações, que são antigas, e também o mau dimensionamento do sistema elétrico para a realidade atual, logo, a “sobrecarga de energia propiciaria um desastre”. “A grande quantidade de aparelhos elétricos e formas clandestinas de ligações, os famosos ‘gatos’, é outro problema na feira. A maioria dos comércios são de papelão e de madeira”.

De acordo com ele, é preciso dividir duas possibilidades de ocorrências, o pânico e o incêndio. “O pânico seria um processo inicial em uma ameaça de incêndio, em que uma grande quantidade de pessoas geraria fuga em massa. [Em uma situação como essa] na feira, ocorreria pisoteio de pessoas, mortes por asfixia, alguns teriam problemas com pressão alta e outras coisas”, disse ele, explicando outros motivos que poderiam causar mortes, além de fogo.

Para exemplificar, o técnico ainda fez uma analogia da situação com o caso da Boate Kiss, que ocorreu no ano de 2013, na cidade de Santa Maria, no estado do Rio Grande do Sul. Não só o incêndio poderia causar uma tragédia, mas também a correria motivada pelo pânico e pelo pouco espaço para mobilidade no local.

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“É uma comparação, já que naquele caso muitas pessoas morreram por asfixia do material em combustão. Isso nos leva a dois vieses, incêndio e pânico, então é uma área que nos preocupa bastante”, esclareceu.

Prevenção

Ainda segundo Jonathas, é preciso ter um olhar bastante técnico e perito para a localidade. Principalmente nos dias de maior fluxo de pessoas, que ocorre nas sextas, quartas e sábados. Para isso, o técnico garante que algumas orientações já são tomadas.

“Há uma ação bem complexa que a gente está fazendo no local com vistorias educativas. Então quando a gente chega em um comércio com ligações em uma única tomada, logo se tem uma abordagem de prevenção, explicamos muitas vezes que o material não tem recomendação do Inmetro. São trabalhos de prevenção”, informou.

Conforme Jonathan, há também outras prevenções para o caso. “Está havendo uma retirada do sistema elétrico por um que o substitui, em uma ação conjunta com a Energisa e outras empresas terceirizadas, desde novembro de 2018″, falou.

Para finalizar, ele também relatou que o perigo não se trata apenas da questão elétrica, mas também da drenagem no local e da zootecnia no solo, que têm apresentado problemas e aos poucos são envolvidos nas ações de combate.

“Também estamos estudando possíveis áreas de evacuação no local e áreas para a colocação de SAMU em alguns pontos. É uma ação que não tem prazo para finalizar”, relatou.

Patrimônio cultural

A feira é um dos principais centros de comércio e expressão cultural do estado e fica localizada bem na áera central de Campina Grande, tomando um espaço total maior que 75 mil metros quadrados. O título de Patrimônio Cultural do Brasil foi entregue em 14 de junho de 2018, em solenidade no Parque do Povo.