Política
Dinheiro público desviado teria financiado campanhas eleitorais na PB
Segunda etapa da 'Calvário', que apura desvios públicos na Saúde em instituições vinculadas à Cruz Vermelha na Paraíba, tem secretários de Estado como alvo

Publicado em 02/02/2019 12:50

Reprodução

Investigações do Ministério Público da Paraíba (MPPB) revelam que o dinheiro público supostamente desviado da Saúde no estado, por meio da Cruz Vermelha gaúcha, teriam servido para financiar campanhas políticas na Paraíba. De acordo com o que está relatado na ação assinada pelo desembargador Ricardo Vital de Almeida, Michele esteve na Paraíba, para onde veio em voo particular, para fazer o transporte de recursos públicos ilícitos.

Ainda com base em conversas de WhatsApp acrescentadas à investigação, tudo indica que as missões clandestinas de Michele em João Pessoa estariam vinculadas ao financiamento de campanhas políticas. Ela também teria demonstrado nesses diálogos a necessidade de vir novamente a Capital para trazer mais “recursos”.

“Não obstante isso, técnica especial de investigação incidente sobre o seu WhatsApp não deixou dúvidas de que ela já havia se deslocado, em ocasião anterior a João Pessoa para realizar uma operação clandestina de entrega de dinheiro, a mando de Daniel Gomes da Silva”, acrescenta o desembargador.

Leandro era a ponte

Além disso, a decisão que liberou a deflagração da 2ª fase da Operação Calvário na Paraíba, revela que Leandro Nunes Azevedo, assessor da secretária de Administração Livânia Farias – já exonerado do governo – era a ponte para o pagamento de “valores desviados” de recursos da Saúde a agentes públicos da Paraíba, assim mesmo no plural. Conforme a decisão, conversas de WhatsApp também comprovariam a situação.

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“Revelam os fatos que a entrega de valores desviados em favor de agentes públicos paraibanos, por intermédio de Leandro Nunes de Azevedo, ora ocorrido em 8 de agosto de 2018, não foi um evento isolado na atuação de Michele Cardoso, cuja atuação, nesse sentido, foi dificultada em razão do extremo cuidado que os membros da ORCRIM (organização criminosa) tinham quando se comunicavam”, diz o documento.

O caso

A segunda etapa da Operação Calvário, que apura desvios públicos na Saúde em instituições vinculadas à Cruz Vermelha na Paraíba, foi deflagrada nessa sexta-feira (1º) pelo Ministério Público do Estado. Dessa, secretários do governo estão na mira das investigações.

Waldson de Souza (secretário de Planejamento) e Livânia Farias (secretária de Administração) foram alvos de busca e apreensão nessa sexta (1º), além de Analuisa de Assis Ramalho. Já os mandados de prisão preventiva são contra o empresário Daniel Gomes da Silva, Michele Louzada Cardoso e Leandro Nunes de Azevedo.

O Governo do Estado divulgou, em nota, que está aberto às investigações, alegando ter sempre “adotado medidas de proteção com relação aos recursos públicos e, como prova disso, decretou a intervenção nos hospitais comandados pela Cruz Vermelha na Paraíba na semana passada”.